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Uma experiência na América Latina

Em outubro tive a oportunidade de ministrar um treinamento para profissionais de iluminação em dois países na América Latina: Colombia e Argentina. Participaram destes treinamentos 40 experientes profissionais de iluminação dos países locais além de pessoas da Venezuela, Peru, Chile e México.


Esta experiência foi bastante enriquecedora pelo fato de poder verificar como a iluminação led está sendo difundida nos países de forma bastante semelhante ao Brasil, respeitando-se suas diferenças normativas locais.

A penetração da tecnologia led, seja na iluminação de interiores como pública é fato em todos os países. A mesma corrida entre fornecedores para conseguir trocar a iluminação convencional pela iluminação de estado sólido nos principais pontos das cidades podem ser notados.


Na prática, uma visita rápida em pontos das cidades visitadas é possível identificar iluminação led em parte das ruas, lojas, escritórios e hoteis, como é o caso de Buenos Aires que já tem as principais avenidas da capital com iluminação led com telegestão, parte da iluminação de hotéis de alto padrão com lâmpadas led e lojas de shoppings com muita fita de led e lâmpadas led.


Algumas aplicações, entretanto, possuem resultados questionáveis, principalmente quando se avalia a qualidade final da iluminação: baixa reprodução de cor em lojas, temperaturas de cor frias em ambientes que deveriam ser aconchegantes, o que denota ainda certo desconhecimento quanto a aplicação e/ou qualidade da tecnologia.


Interessante notar como a tecnologia led reintroduziu questionamentos qualitativos à conceitos estabelecidos de iluminação e tornou a engenharia da luminotécnica, algo de certa forma novo para quem trabalha há muito tempo com iluminação. Conceitos como índice de reprodução e distinção do R9 para avaliação da cor, binning, consistência cromática, elipses de MacAdam, espectro visível, visão mesópica, luminância e UGR, são conceitos cada vez mais discutidos atualmente e que antes do led mal eram conhecidos ou questionados.


Decorre daí a importância da atualização de conceitos seja para facilitar uma venda técnica como para projetar e especificar de forma correta um produto. O led introduz eficiência energética e vidas prolongadas que permitem redução de custos com operação e manutenção, porém a qualidade do produto precisa ser verificada e atestada. O Brasil neste aspecto está a frente dos demais países da América Latina por acabar de introduzir no mercado brasileiro os Requisitos Técnicos de Qualidade para testes de lâmpadas led e regras para se obter o Selo Procel de Economia de energia, etiquetagem voluntária que tem o objetivo de distinguir os melhores produtos do Mercado. Embora saibamos que o processo ainda tem uma longa trajetória pela frente, estes mecanismos serão fundamentais para elevar a qualidade técnica dos produtos e a qualidade da iluminação de estado sólido no Brasil.


Tendências como projetos com certificação LEED também são observados no demais países da América Latina, enfatizando a eficiência energética dos produtos e abrindo campo para uso de sistemas led e sistemas de controle de iluminação. O Brasil por ser o segundo país com mais projetos registrados no mundo acaba também sendo uma referência para os demais países da América Latina. A introdução da nova versão V4 de forma compulsória a partir de 2015, torna também a iluminação um aspecto cada vez mais complicado do ponto de vista projetual e custoso para o construtor. As tecnologias entretanto vem ganhando espaço em função da queda de preços e se tornam alternativas cada vez mais necessárias para obtenção de certificações ambientais.


O que se observa, entretanto, de diferente entre os países é a adoção de normas distintas referentes a iluminação. Não há um consenso normativo e cada país acaba seguindo referências locais. Normas como o RETILAP na Colombia ou o IRAM na Argentina, mostram-se bastante exigentes quanto a certificação de produtos, o que minimiza produtos de baixa qualidade. Quanto a projetos de iluminação, observa-se a influência de recomendações da CIE e da IESNA, assim como no Brasil. Os níveis de iluminância recomendados entretanto podem variar conforme o país e também a forma como são requeridos. Uns estabelecem os níveis mínimos como é o caso do México, outros estabelecem níveis mínimos, médios e máximos como a Colombia.


Alinhando-se as diferenças das exigências locais nota-se que os países da América Latina estão bastante alinhados quanto às mudanças de tecnologias e tendências de iluminação. O comportamento do consumidor e especificador também parece ser bastante parecido com o brasileiro, sendo o preço dos produtos, um fator muito relevante. Isto enfatiza a tendência crescente de alteração de tecnologias na América Latina nos próximos anos como vem ocorrendo no Brasil.


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